quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Piscinas vazias

A sensação de subir a uma prancha e olhar cá para baixo é das mais assustadoras que há para mim. Enquanto subo as escadas ninguém me pára: não olho para baixo, logo não tenho medo de escorregar, e continuo a subir até chegar à rampa onde, aí sim, vem o medo. Mas depois de se analisar tudo e ver, mesmo lá de cima, que a piscina está cheia, nada parece assim tão perigoso, e começo a ganhar coragem para saltar. Entra então a adrenalina, altura em que tudo parece parar, e depois, de repente, sou recebido pela água que me abraça o corpo com força. É sem dúvida das sensações mais reconfortantes e gratificantes que há... Consegui! Tive a coragem de subir até lá acima, olhar para uma coisa que me meteu medo, e mesmo assim saltar e confiar que a piscina me receberia cheia de água e em porto seguro. Assim é pelo menos com a maior parte das pessoas.

Comigo nunca foi bem assim. Ou escorrego nas escadas. Ou olho para baixo e congelo. Ou não consigo ganhar coragem para saltar. Ou chego lá acima e apercebo-me que afinal a piscina está vazia: ou porque me esqueci de verificar isso antes de subir as escadas, ou porque enquanto as subia a piscina esvaziou-se.

Esta semana no entanto aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido: alguém esvaziou a piscina depois de eu ter saltado. Verifiquei que a piscina estava cheia enquanto ainda ía a subir as escadas, quando cheguei lá acima, aterrorizado e sem saber para onde ir, voltei a olhar para baixo e verificar que a piscina estava de facto cheia... e mesmo muito cheia! Ganhei coragem e saltei... fechei os olhos e saltei de cabeça como quem diz "eu desta vez fiz tudo certinho.. a piscina está cheia e tenho a coragem para saltar!". Finalmente era a minha vez de experimentar aquela sensação que parece tão natural para os meus amigos e que no entanto nunca tinha corrido bem comigo.

Haaa.. a sensação de saltar, olhar para baixo e ver a piscina pronta para nos acolher. E no entanto, à medida que me aproximava da água alguma coisa parecia errada. Foi quando estava prestes a chegar ao nível do chão que me apercebi: a piscina estava a esvaziar-se.. e estava a fazê-lo rapidamente. Kabum.. Aouch! Quando dou por mim a piscina que estava tão cheia e com tantos metros de profundidade quando saltei lá de cima, tinha agora uns escassos centímetros de água!


Esta semana apaixonei-me. E como muitas, ou mesmo todas as minhas paixões até hoje, tudo começou com uma bela amizade que foi dando os seus frutos e crescendo de intensidade... fui subindo as escadas, até que me apercebi que estava a chegar a uma prancha, aquela altura em que ou se passa para outro tipo de relação ou se volta a descer as escadas para ficar na terra firme da amizade. Já tendo passado por alí, resolvi verificar se a piscina estava cheia: estava cheia, iluminada, a chamar por mim... mensagens, sms, carinhos e abraços. Até lá de cima se via a resplandecência da piscina. Foi então que resolvi saltar... e durante o salto tudo estava perfeito: a adrenalina estava lá, as mensagens intimas continuavam e a cumplicidade no seu esplendor único. No entanto, de repente a piscina esvaziou-se. As razões para isso ter acontecido não interessam aqui e são exclusivas daquela que eu tanto gostava.. Facto é que eu já ia no ar, e quando cheguei à piscina bati forte e feio e fiquei aos bocados. O pior é que, já depois de espatifado, ela diz que só pensa em mim e que, no fundo, tinha que saltar mais tarde...


Tempo de recuperação: indeterminado.

1 comentário:

lapiseira disse...

em menos de 24 horas começas-te a recuperar, e agora nadas seguro...